Sentir saudade é algo incontrolável. Ela chega sem pedir licença, fica até a hora que bem entende, não pede ‘por favor’ e, quando sai, não se despede e deixa sempre aquela sensação que voltará na hora que bem entender. E o pior é que volta mesmo. Rouba minutos e até horas preciosas do meu dia simplesmente para me dizer que ela continua ali, mesmo que eu não queira. Dedica-se espontaneamente aos momentos de maior emoção da minha vida: durante uma música, um ballet, um poema, um pôr do sol. Parece um gato manso que sente o acolhimento de um canto quentinho, sente-se dono do território, do espaço.
Sentir saudade é como desejar controlar as águas de um rio, daqueles que fluem com força. Ninguem tem poder pra isso. Usar o racional é perda de tempo. (deixe fluir, dizem as pedras.)
Sentir saudade é como se um radinho estivesse ligado o tempo todo dentro da gente, contando histórias que já se foram, lembrando tempos que já não voltam mais. Mesmo que eu tente desligar, o botão não funciona, a pilha não acaba e as sensações brotam novamente.
Saudade é um sentimento que me faz pensar que sempre que estive presente, de corpo e alma, ficou registrado algo bom dentro de mim (e no outro, quem sabe). Minha vontade de segurar esses momentos, encapsular e cristalizar é meu ato de sofrimento. Inútil.
Se, ao inves disso, eu conseguisse fechar meus olhos, sentir, respirar, agradecer e soltar, estaria mais aberta pras novas emoções. Mas, eu prefiro escutar as pedras: "deixa fluir, deixa fluir..."
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