terça-feira, 18 de agosto de 2009

meus quase trinta e sete

Pouco sei sobre essa sensação que tenho a cada dois, três anos, sempre na véspera do meu aniversário. Neste ano, estou sentindo a mesma coisa. Parece que recebo, de uma só vez, vários parentes e amigos que moram longe e vêm me visitar em casa. Eles trazem presentes e não são poucos, são muitos. E eu me sinto feliz pela visita, grata pelos presentes, amada, querida, especial e, também, já saudosa, antecipando a partida da turma toda.

Tem cheiro de coisa nova na minha vida. Tem cheiro de mar, de mata, de terra e de um perfume que eu ainda não conhecia. Recebi reforço na minha estrutura, recauchutaram meus mecanismos, refrigeraram minha alma. Tem coisa boa por aí e usar as palavras é como tentar segurar um olhar com as mãos, é perder o momento mágico tentando explicar coisas inexplicáveis.

No dia 12 de setembro faço trinta e sete anos. Não sou nova, nem velha. Não sou responsável por ninguém além de mim mesma e da minha felicidade. Quero ser boa companhia para quem estiver do meu lado, companheira, amiga e amante. Faço questão de estar feliz mas desde que isso não seja a custa de outros. Sinto-me tão merecedora, próspera e agraciada como todos os outros seres humanos também merecedores, prósperos e agraciados.

Eu não estou chegando aos trinta e sete. Eu estou correndo para chegar lá e mais além com lucidez, jovialidade, ternura, sabedoria e amor.

Confio no fluxo da vida e a vida, meu amigo, posso dizer que é generosa comigo. Ela me apresenta para relacionamentos saudáveis, amorosos e criativos, trabalhos prazerosos, rentáveis e gratificantes, oportunidades valiosas, saúde harmônica, possibilidades infinitas de crescimento, amadurecimento com amor, realizações de sonhos, desejos e muita criatividade. Sou grata por estar aqui e agora!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

mude, mude, mude...

No final da palestra de hoje, não sei porquê, a mulher resolveu falar sobre mudança como se fosse o tema mais apropriado para fechar um assunto tão burocrático sobre aplicação de leis e regulamentos. "Tudo bem", pensei. Afinal de contas, com 40 graus lá fora, às 3 horas da tarde, de uma quinta-feira, nada melhor que ouvir sobre mudanças.

E foi aquela coisa de sempre: nós temos que fazer mudanças na nossa sociedade, no meio em que vivemos, em nossas vidas, bla, bla, bla...
Pra finalizar, ela apertou a tecla play no seu notebook e disse toda sorrisos que iria mostrar um vídeo para nós.

Foi aí que o negócio me pegou de vez. Era um vídeo com imagem e som e a voz deslizada palavra por palavra de um poema de Clarice Lispector que, para mim, começou parecer um mantra que dizia o tempo todo: "mude, mude, mude agora, mude já, mude a cor do cabelo, mude de amor, de posição, de marca de sabonete, de lado. Mude suas roupas, mude de emprego, de cidade. Mude. Mude. Mude."

Sim, eu quero mudar. Mudei de cabelo ontem a noite porque não aguentei esperar por hoje. Mudei os móveis de lugar no final de semana porque é preciso dar graça pro lugar onde a gente vive. Mudei algumas posturas, simplifiquei dilemas, exercitei minha auto estima, me valorizei mais.

Mas, calma ai. Me sinto tensa. Dói meu maxilar, mordo os dentes. Estou eufórica com a vida porque ela pode ser nova, mas isso me causa tensão. Mudar não é fácil! Eu quero, muito, mas não acho fácil soltar a mão.

Acho que é por isso que não penso mais antes de dormir, não sofro, não lamento e não choro pelas situações que não são como eu gostaria. Mudei isso. Agora deixo fluir.

Mudar de atitude traz uma série de novas situações que eu nem posso pensar agora pra não paralisar de medo. O novo me encanta e fascina. Mas eu não posso pensar muito nisso, conjecturar, vislumbrar quadros prontos.

Só uma coisa me norteia nesse processo de mudança que Clarice L. me impulsionou: hoje eu só aceito na minha vida aquilo que me faz feliz. Esse é meu sinalizador.

Salve o mês de agosto!